A febre é uma resposta do nosso sistema imunológico, nos mostrando que alguma coisa pode estar errada. É um sinal de alerta que acontece quando alguma partícula estranha penetra no nosso organismo (vírus, bactérias, fungos), quando há um processo inflamatório qualquer (reação alérgica, inflamação da garganta) ou quando há aumento da temperatura ambiente (calor, insolação). É definida como temperatura axilar acima de 37,5°C.

Para o controle da febre são usados medicamentos antitérmicos (Dipirona, Paracetamol, Ibuprofeno). Porém, essas drogas podem ter efeitos colaterais, como diminuição da pressão arterial, por exemplo. Por isso, não devem ser usados sem a orientação do Pediatra. Não automedique.

Algumas considerações sobre a febre, para que evitemos a chamada “febrefobia”, ou “medo da febre”:

– Só devemos medicar uma criança com temperatura entre 37,5 e 38°C caso a
febre esteja causando desconforto ou vier acompanhada de alguma dor. Caso esteja
ativa e sem queixas, apenas hidrate-a, deixe-a com roupas leves e monitore a temperatura;

– Menores de 2 meses com febre devem sempre ser avaliados por um médico
a fim de descartar infecções como meningite e infecção urinária;

– Medicamentos para febre só devem ser administrados SE NECESSÁRIO. Ou
seja, quando tiver febre associado a sintomas de dor ou desconforto, desde que a
temperatura não ultrapasse 38°C. Não devemos usar antitérmicos de 6/6h ou de 8/8h,
nem intercalar seu uso, salvo em situações especiais como as descritas a seguir, pois
isso aumenta o risco de efeitos colaterais;

– Crianças cardiopatas e com convulsão febril são exceção. Nesses casos a
febre deve ser tratada de forma mais agressiva, pois pode descompensar a parte
cardíaca ou desencadear crise convulsiva;

– Crianças em tratamento de câncer, transplantadas ou em uso de
medicamentos imunossupressores devem sempre procurar um médico quando
estiverem com febre;

– Ibuprofeno deve ser evitado em crianças com desidratação, alterações da
função renal, com refluxo ou esofagite;

– Paracetamol é o medicamento de escolha para menores de 3 meses;

– Está contra-indicado o uso de envoltórios com álcool, água gelada ou banho
gelado para baixar a temperatura. Isso pode piorar o desconforto da criança, além de
poder causar intoxicação pelo álcool. Podem ser dados banhos mornos, oferecer
líquidos e colocar roupas leves;

– Nos primeiros dias de uma infecção, a febre vai e volta, às vezes em
intervalos curtos. O remédio para febre é para diminuir o desconforto causado pela
elevação da temperatura e não trata a causa da febre. Quem vai matar o vírus é o
sistema imunológico do paciente e quem mata a bactéria é o antibiótico que for
prescrito quando necessário.

Não devemos ter medo da febre. Ela é uma aliada importante do nosso organismo contra infecções. Mas e a convulsão febril? A ciência é categórica em afirmar que medicar para febre não previne convulsão febril. Nem tampouco ela está associada à altura da febre, e sim à velocidade de subida (pode-se ter convulsão febril inclusive com temperaturas consideradas baixas, em torno de 37,5°C). A convulsão febril é mais comum entre 6 meses e 5 anos de idade e é benigna: não mata, não sequela e não causa epilepsia. E na deficiência de G6PD? Os estudos mais recentes demonstram que não há contra-indicação no uso de antitérmicos em doses habituais.

Quando devo me preocupar?

– Se a febre não responde às doses certas de antitérmicos, lembrando que
essas medicações podem demorar até 2 horas para ter seu efeito pleno. É esperada
uma redução de pelo menos 0,5 grau após esse período;

– Se a febre estiver acompanhada de letargia, recusa a ingerir líquidos, vômitos
persistentes, manchas na pele, moleira elevada ou dificuldade respiratória. Diminuição
do apetite é esperado durante todo o curso da doença e não constitui sinal de
gravidade;

– Abaixo de 2 meses de idade é sempre uma emergência médica.

Invistam sempre em uma boa hidratação, repouso, roupas leves e confortáveis
e muito carinho! Esse, sem dúvida, é o melhor remédio!

Dra. Raquel Simbalista
Pediatra | CRM-14022

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