Risco estaria atrelado às despesas fixas, descontos coletivos e cancelamentos de contratos.

As medidas recomendadas recentemente pelo Ministério Público Estadual da Bahia para que as escolas particulares promovam descontos proporcionais e se abstenham de juros e multas em caso de atrasos no pagamento da mensalidade ou de rescisão de contrato, levanta outra questão: como fica a sobrevivência das escolas? A polêmica começou desde o momento em que as autoridades decretaram o isolamento social em função da pandemia pelo coronavírus.

Para o economista e consultor em orçamentos escolares, Fernando Barão, em média 70% das despesas de uma escola são oriundas de pessoal (salários, encargos e benefícios). Dos 30% restantes, 10% ficam com aluguel, 6% com impostos, 5% com serviços e 9% com o restante. “É importante notar que todos esses itens discriminados são fixos e não diminuem de valor caso a escola esteja sem receber alunos”, explica.

Isso significa que no curto prazo, a evasão de alunos e o aumento de descontos e de inadimplência pode levar a um déficit operacional e as escolas terão que recorrer a capital de terceiros. No médio prazo, a forma como as famílias mais atingidas negociarão sua nova relação com as escolas pode impactar, inclusive, na sobrevivência dessas instituições. “Algumas escolas podem não sobreviver a este momento, mesmo sendo este um produto de primeira necessidade e que tem, no geral, um diferencial de qualidade reconhecido pelo mercado”, ressaltou o especialista.

Medidas adotadas

Muitas escolas mantiveram as aulas acontecendo normalmente de forma remota. “Para os alunos não ficarem com os estudos comprometidos, adaptamos as aulas para o ambiente virtual tão logo foi decretada a pandemia. Os professores estão dando aulas normalmente, no mesmo horário, inclusive”, pontua o diretor executivo do Colégio Perfil, em Lauro de Freitas,, Wilson Abdon. “Agora as escolas estão preocupadas com a sobrevivência e em manter os serviços educacionais com a máxima qualidade possível”, completou.

Sobre as contas de consumo, Barão explica que isso muda de escola para escola, mas, no geral, é um impacto baixo, com uma média de 4,3%. Para diminuir os impactos, o economista recomenda que a negociação seja feita caso a caso, “trazendo uma chance de sucesso muito maior para os dois lados, além de ser socialmente mais justa”. O Colégio Perfil, bem como outras escolas de Salvador, Lauro de Freitas e de outras cidades baianas, estão reavaliando a concessão de descontos com base na Medida Provisória 936 para reduzir o custo com pessoal e repassar essa economia em forma de desconto coletivo às famílias.


Fernando Barão
Economista formado pela FEA-USP com MBA em Economia de Empresas pela Fipe-USP e consultor financeiro do Colégio Perfil

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