A tragédia envolvendo o garoto que matou e feriu colegas em Goiânia, na sexta-feira (20/10), chocou o país. Mais uma vez, uma situação extrema traz à tona o tema Bullying. O trabalho policial investiga se realmente se trata de uma situação de bullying, mas, independente do resultado, vale a pena refletir sobre as consequências do bullying, que podem ser graves.

O problema é mundial, presente em todas as escolas e em diversas instâncias da sociedade. Tenho lido bastante sobre bullying e na literatura encontrei algumas reflexões interessantes, como a relação do bullying com as psicopatologias e o uso de álcool e outras drogas (como uma forma de identificar fatores de risco).

Em relação às consequências do bullying, a literatura aponta que todos os envolvidos são atingidos de alguma forma. No caso das vítimas, geralmente apresentam baixa autoestima, isolamento, déficits nas habilidades sociais, depressão, ansiedade. O suicídio, automutilação e homicídio aparecem em “casos mais graves”.

É muito difícil definir numericamente ou descrever o que é “um caso mais grave”. O ser humano é singular em suas alegrias e sofrimentos. Ao mesmo tempo não temos como comparar sofrimento (e até mesmo alegria) – sabemos o que é sofrer, mas não tenho como comparar o meu sofrimento com o sofrimento do outro e vice-versa.

Algumas vezes tenho a ilusão de que situações de extremo sofrimento deveriam causar/provocar empatia, afinal todos nós sabemos o que é sofrer. Precisamos não só falar sobre bullying, mas deixar de sermos passivos diante desse tipo de violência. Mais empatia ao invés de acusações!

Camila Miranda
Psicóloga – CRP 03/2138

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