As mulheres têm assumido o papel de protagonismo na sociedade. Hoje, a decisão de qual carreira seguir, de como e quando constituir uma família, de quais são as metas e objetivos de vida pertencem à própria mulher. Há tempos, nós, mulheres, temos buscado a equidade social absoluta, com acesso às mesmas oportunidades profissionais e remuneração idêntica para os ocupantes dos mesmos cargos, independentemente do gênero, bem como a divisão igualitária de obrigações familiares.

Não faz muito tempo que as mulheres eram educadas apenas nas “artes domésticas”. Fomos doutrinadas de que nosso papel era fazer um lar feliz e saudável para nossos filhos e maridos, enquanto estes tinham por “missão”, quase que exclusiva, manter o sustento da família. Felizmente, a minha geração será, talvez, a última “educada” para ser exclusivamente uma dona-de-casa.

Não há nada errado em desempenhar tarefas domésticas. Assim como o dever profissional, o dever com filhos, companheiros e com o lar é necessário. No entanto, não existe nenhuma regra ou lei que afirme que esse dever é exclusividade feminina. A equidade não se traduz apenas nos direitos iguais no mercado de trabalho, mas, também, na distribuição justa das obrigações em casa. A educação doméstica é tão necessária quanto a acadêmica e profissional, e devem ser lecionadas a meninos e meninas. Essas habilidades formam um indivíduo capaz, uma pessoa apta para ser bem sucedida em todas as esferas da sociedade moderna.

Essa educação baseada na valorização do conhecimento, no aprendizado constante e na capacidade de desenvolver competências técnicas e comportamentais formou a incrível geração atual de mulheres modernas e bem-sucedidas. Infelizmente, ainda existem mulheres que se sentem culpadas por não conseguir conciliar os projetos profissionais com as “obrigações do lar”. Mulheres que deveriam estar investindo tempo e energia na busca por seus sonhos, acabam forçadas a escolher entre o trabalho e família. Uma “escolha” que jamais deveriam ser obrigadas a fazer.

Essa imposição não vem apenas do companheiro ou das circunstâncias familiares, mas, também de um modelo social ultrapassado que ainda ecoa em nossos tempos, causando embaraços pessoais, famílias insatisfeitas, casamento desfeitos. Essa pressão nos leva a abandonar sonhos, carreiras e a busca pelo sucesso profissional.

Não é fácil administrar uma carreira profissional e as tarefas domésticas, e quem afirma ser necessário escolher entre uma coisa e outra está errado. A mulher deve exigir que o companheiro divida com ela as atividades da vida pessoal. E se não tiver com quem, a solução é encontrar forças para conciliar o amor pelos próprios sonhos e pela família. Ter jogo de cintura, perseverança e resiliência. Não é fácil, mas toda recompensa exige uma dose de sacrifício na mesma medida.

O novo modelo social clama por mulheres capazes de assumir postos de liderança e contribuir com as habilidades e a forma de abordar os problemas que nos é inerente e exclusiva. Essa necessidade de participação igualitária tem ganhado cada vez mais espaço contando com o apoio das mídias e a responsabilidade social da imprensa, que motiva, incentiva e fortalece mulheres para assumir os cargos de liderança e de poder.

Os debates em torno do empoderamento feminino e das ações coletivas de fortalecimento confirmam nossa hegemonia social. Para prosseguir, precisamos continuar fazendo o que acreditamos ser o certo. Nos unir cada vez mais em um laço de solidariedade, empatia e companheirismo, aprendendo a respeitar e acolher sem rivalidades e julgamentos as escolhas de cada uma de nós. As mulheres do passado lutaram para garantir que nossa geração tenha seu lugar na sociedade. Agora, chegou a hora de assumirmos o comando, das nossas vidas e do mundo.

Inna Fernandes

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